Relatório internacional aponta avanço da degradação ambiental e alerta para riscos crescentes aos ecossistemas e à humanidade
A humanidade já ultrapassou sete dos nove limites planetários considerados fundamentais para manter a Terra estável, resiliente e habitável. A conclusão faz parte do relatório Planetary Health Check 2026, elaborado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), da Alemanha.
Os limites planetários representam processos essenciais para o equilíbrio ambiental. Quando esses níveis são ultrapassados, aumentam os riscos de mudanças severas, colapso de ecossistemas e impactos sobre a segurança alimentar, a economia e a qualidade de vida da população.
Entre os limites rompidos estão as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, as alterações no uso do solo, o uso da água doce, a interferência nos ciclos de nitrogênio e fósforo, a poluição química e plástica e a acidificação dos oceanos.
Segundo os pesquisadores, ultrapassar esses limites não significa que o planeta entrará imediatamente em colapso. A situação, entretanto, amplia significativamente a possibilidade de eventos climáticos extremos e mudanças ambientais difíceis ou até impossíveis de reverter.
Apenas dois indicadores permanecem dentro da faixa considerada segura: a camada de ozônio e a concentração de aerossóis na atmosfera. Apesar disso, algumas regiões ainda enfrentam níveis perigosos de poluição por partículas.
A recuperação gradual da camada de ozônio é apresentada pelos cientistas como exemplo de que medidas coordenadas podem produzir resultados. Acordos internacionais, como o Protocolo de Montreal, demonstram que a cooperação entre países pode ajudar a conter e reverter danos ambientais.